Meu primeiro gole de bebida alcoólica foi aos quatorze anos, e meu primeiro cigarro aos dezessete. Era uma época em que eu gostava de The Doors e eu queria ser diferente, queria ser complicada. Gostava de fazer coisas que meus pais não deixavam. Costumava ir dormir fora sem avisar e outras coisas do tipo de envergonhar uma família de alto requinte, eu não gostava de fazer parte da sociedade que julgava, eu sempre gostei se ser liberal, de ter liberdade. Sempre fui um livro aberto, e eu sempre gostei de escrever, quem sabe isso também seria para ser diferente, pois meus colegas de classe sempre detestavam as palavras, mesmo causando problemas eu era inteligente, era inevitável. Nunca fui feia, bem pelo contrario, sempre fui popular, ou melhor, eu era um misto de rebelde, nerd e patricinha, como eu disse, eu queria ser complicada. Pra falar a verdade, eu queria ser uma incógnita, aquelas garotas misteriosas que chama atenção. Sempre tive um apreço pela liberdade, me livrei de tudo o que me prendia desde sempre, isso vai de rodinhas de bicicleta até anéis de compromisso. Por falar em compromisso, me desculpe mas eu não sei o que é isso. Eu sempre fugi, sempre fui daquelas que não liga de volta, não responde as mensagens, não da sorrisinhos quando encontra na rua, acho que isso foi uma sequela da minha fase punk rock. E de fases eu entendo bem, já passei por todas e ainda tem mais por vir. Mas o que realmente marcou todas as minhas fases foi o medo e a fuga. O medo de sentir, de me importar, de amar. E a fuga de qualquer sentimento mais concreto. Há um tempo atrás eu não entendia isso, mas hoje consigo pensar com mais clareza. Toda essa rebeldia, coragem e ousadia só servem para mascarar a garotinha assustada que existe aqui dentro. E eu me acostumei tanto a escondê-la, a oprimi-la e censurá-la que ela morreu. A acidez do meu cérebro matou as borboletas no meu estômago e qualquer coisa existente no meu coração. Eu não sei ao certo o que me tornou desse jeito, ou talvez saiba e não queira encarar, mas o ponto não é esse. Onde eu quero realmente chegar é que eu cansei de representar a garota problema, a ovelha negra da família, a menina do coração de gelo. Cansei de não me importar, de não amar, de não me permitir. Pela primeira vez na vida, eu quero me prender. Eu quero ter alguém pra pertencer, alguém por quem voltar. Eu quero viver. Talvez seja só mais uma fase, ou talvez eu tenha finalmente aberto os olhos. Mas se eu tenho uma certeza, é de que não quero deixar essa fase passar. E quero tornar dela, uma fase pra toda a vida.
"Eu não sou a autora dessa história. Li ela em um tumblr e gostei..."
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